Informe Chagas

Campanha de MSF traz visibilidade às pessoas afetadas por Chagas

Desde o início de 2017, quando Médicos Sem Fronteiras encerrou seus projetos específicos para a doença de Chagas depois de quase 20 anos, a organização concentra os esforços para essa agenda em ações de Advocacy. A fim de tentar diminuir a falsa percepção de que Chagas é uma doença do passado, MSF lançou no último 14 de abril, Dia de Luta Contra a Doença de Chagas, uma campanha para dar visibilidade à problemática.

A campanha “Ter um coração grande nem sempre é bom” foi idealizada em parceria com a agência Quintal, que, ao jogar com as palavras e sentidos de uma das características da doença, teve como objetivo alcançar um público que desconhece completamente essa realidade. Através das redes sociais e da mídia impressa, a campanha consiste em divulgar o website http://chagas.msf.org que traz diversas histórias de pessoas afetadas e convida usuários de redes sociais a compartilharem as vozes dessas pessoas, mostrando que Chagas faz parte da nossa sociedade. Com isso, MSF faz um esforço de humanizar o debate e lembrar que ainda há muito o que fazer p essas pessoas, começando pela ampliação do diagnóstico e do tratamento integral e integrado na atenção primária de saúde.

Antonio Gomes relata sua história: “Tenho três casos na família. Perdi uma irmã com 22 anos de idade, de coração. Não sei qual foi o problema, se já era afetada pela doença de Chagas. Dois irmãos se tratam junto comigo. Todo ano eu fazia exames de sangue periódicos que não declaravam problema nenhum. Fui doar sangue e me informaram que meu sangue não poderia ser doado, pois tinha a doença de Chagas. Depois de uma forte arritmia, tive implantado um CDI (Cardioversor Desfibrilador Implantável). Faço tratamento até hoje.”

O relato de Antonio infelizmente é um retrato clássico da situação doença de Chagas: quase toda a família é afetada, perderam um membro da família jovem, de morte súbita e ele só descobriu sua condição por uma casualidade (doação de sangue). Essa realidade só será mudada com prioridade política, que depende também de mobilização social.

Ainda é possível compartilhar essas histórias, disponíveis no site da campanha!

A ação contou com o apoio da associação RioChagas, da Associação dos Portadores de Doença de Chagas e Insuficiência Cardíaca de Pernambuco, da Fiocruz, do DNDi, da Chagas Coalition, do Fórum Brasileiro de Enfretamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas e da Federação Mundial do Coração.

By: Leticia Nolasco