Retrospectiva

Eventos Asso 1o semestre

Como sabem o primeiro semestre de todos os anos comporta a alta temporada dos eventos associativos. Em geral, de janeiro à março acontecem os FADs (Field Associative Debates), os famigerados debates em nossos projetos. De março a junho acontecem as Assembleias Gerais das Associações MSF pelo mundo! 

Em 2017 tivemos participantes da MSF-Brasil no FAD Bissau, AG MSF-LAT e AG Southern Africa. Claro, também tivemos nossa própria AG aqui no Brasil em abril e esse ano também contamos com uma AG Extraordinária em julho. Como todo ano, marcamos nossa presença também nos fóruns do OCB Gathering, afinal, somos co-proprietários desse OC. E além disso, ocupamos com experiência e inovação as duas cadeiras do Brasil na IGA 2017! 

Aqui, na seção RETROSPECTIVA, vocês vão encontrar uma retomada pontual sobre o que aconteceu em cada evento, juntamente com breves depoimentos de quem esteve por lá representando a Associação Brasil! 

RETROSPECTIVA ASSEMBLEIA GERAL INTERNACIONAL (IGA) 2017 

     

Onde? Johanesburgo. Quando? 29 de junho a 01 de julho.

O quê? Prestação de contas: relatório moral da presidente Joanne Liu, relatório financeiro do tesoureiro Yvan Legris, feedback do Board Internacional (IB) sobre migrantes & acordo de segurança inter-OCs. Eleição de dois novos membros do IB: Pete Buth e Ingrid Johansen para mandatos de 03 anos. Endosso de três novos Branch Offices: Pequim, Moscou e Nairóbi. Resultados dos FADs. Debates: Prover aborto seguro em projetos de MSF; O crescente desafio da imparcialidade nos cuidados de saúde em uma era de securitização; MSF e os próximos passos na evolução do movimento. Votação: aprovação do processo de exceções proposto pelo grupo de trabalho de governança, da moção sobre prevenção e gestão da violência sexual e do assédio, da moção sobre consequências médicas e humanitárias da degradação ambiental em saúde e da moção para ação em todo o movimento na adoção da resolução MSF sobre aborto seguro. Posicionamentos: sobre pessoas em movimento, mutualização, discriminação e diversidade, critérios para ser membro institucional, saúde mental e financiamento institucional público.

Quem? Ionara Rabelo e Mauro Nunes. Ionara Rabelo é associada MSF-Brasil desde 2012, vice-presidente do Board desde 2017 e representante do Brasil na IGA desde 2017. Como expatriada já atuou como psicóloga em 6 projetos tendo realizado sua última missão no Equador em 2016. Mauro Nunes é associado MSF-Brasil desde 2011, membro do Board Brasil desde 2012, representante do Brasil na IGA desde 2012 e expatriado desde 1991. Já foi parte da equipe de BRAMU e como expatriado já atuou como enfermeiro em mais de 15 locais tendo realizado sua última missão em Angola em 2015.  

Depoimentos: 

Ionara, dentre os diversos pontos tratados na IGA, qual você destacaria? Por quê? 

Gostaria de destacar o "debate rico" sobre crescimento de MSF, como criar equilíbrio entre arrecadação e projetos sem com isso sobrecarregar nossa capacidade de resposta. Houve discussões sobre a descentralização dos Centros operacionais e possível aumento de seções parceiras e escritórios regionais mais próximos dos projetos. Na sessão sobre “Podemos fazer mais”: provendo abortos seguros em projetos de MSF, foram enfocadas as barreiras internas de MSF e como podemos nos preparar melhor e apoiar as equipes locais para implementar aborto seguro e interrupção da gravidez quando solicitada. Destacou-se a importância de equipes receberem informações claras sobre a Política de término da gravidez ser baseada nas necessidades dos pacientes, e uma questão de saúde para evitar a morte em decorrência de abortamentos inseguros. Sugeriu-se mais capacitação e que chefes de missão e coordenadores médicos tenham compreensão clara sobre o papel crucial dos mesmos para a implementação desta política.

Mauro, considerando a sua experiência como representante do Brasil na IGA, como você avalia a evolução desse fórum desde sua criação e quais são as perspectivas de futuro? 

Participo desde a 1o IGA e temos um desenvolvimento positivo, uma maturidade maior a cada ano, menos basedas em OCs ou Partner Sections, mas sim em prol do movimento internacional, um sentimento de coletividade mais intenso. Nessa última IGA especificamente, quando todos os IGA Reps apoiaram em conjunto com o IB e a presidência questões sobrenacionais, o que é um indicador de superação e entendimento de um objetivo comum, que é continuar a dar atendimento aos nossos beneficiários de acordo com o que achamos que tem que ser feito. Somos MSF e ponto final, independente da seção a qual estamos ligados.

Saiba tudo sobre a IGA 2017 em: http://association.msf.org/2017IGA (login: msf ; senha: iga)

RETROSPECTIVA OCB GATHERING 2017 

Onde? Bruxelas. Quando? 02 e 03 de junho

O quê? Prestação de contas: relatório moral do presidente Bertrand Draguez, relatório financeiro do tesoureiro e relatório de recursos humanos. Eleição de Anneli Eriksson (reeleição) e Sohur Mire (representante anterior da MSF-DK) para um novo mandato de 3 anos e Mario Stephan (reeleição) por um mandato de 1 ano substituindo Liesbeth Schockaert que deixou o conselho OCB um ano antes do final do mandato. Debate: Informações de segunda mão e testemunho; Salvando a vida de mulheres: abordando o problema do aborto inseguro; Valor do dinheiro: respeitamos nosso sucesso financeiro? Operational Research Day: HIV / AIDS e Tuberculose: oportunidades emergentes e novos desafios; Um paradigma de hoje? Consequências da violência e do trauma em ambientes humanitários; Influencing health care down-stream – how to steer change?; Qualitative research and the Community: what role in MSF Operations?. Moções aprovadas: MSF tomando a luta contra o câncer; Detenção de Migrantes, Refugiados e em busca de asilo; Reforço da Segurança do Staff Nacional; Prevenção e Gerenciamento de Assédio e Abuso de Poder em Espaços de Trabalho MSF; Não ao Financiamento Público Institucional - reprovada: Produção de Medicamentos Essenciais. 

Quem? Julia Bartsch, Renato Santos e Letícia Nolasco. 

Julia Bartsch é associada MSF-Brasil desde 2013, presidente MSF-Brasil desde 2017 e membro do Board OCB. Já foi parte da equipe de Recursos Humanos da MSF-Brasil na função de suporte psicossocial e como expatriada atuou como psicóloga em cerca de 07 locais tendo realizado sua última missão em Guiné Conacri em 2014.

Renato Santos é associado MSF-Brasil desde 2015, é career manager no escritório MSF-Brasil e como expatriado atuou como Admin/HR em cerca de 04 projetos tendo realizado sua última missão em Kunduz logo após o bombardeio em 2015 e foi autor da moção aprovada no OCB Gathering 2017 sobre a segurança do Staff Nacional. 

Leticia Nolasco é associada MSF-Brasil desde 2011, coordenadora da Associação MSF-Brasil desde 2012 e como expatriada atuou como psicóloga em cerca de 07 locais tendo realizado sua última missão no Equador em 2016. Em 2017 foi responsável pelo treinamento e recepção dos representantes dos FADs do OCB no OCB Gathering. 

Depoimento:

Julia, qual o seu papel enquanto presidente de MSF-Brasil na plataforma do OCB? 

Como presidente de MSF-Brasil, tenho uma cadeira no Board de OCB. Isso significa que tenho voto nas propostas apresentadas, além de poder debater em igualdade com os representantes dos Boards de outras sessões parceiras. Recentemente, participei do processo seletivo para a nova Diretoria Geral de OCB, por exemplo. 

Saiba tudo sobre o OCB Gathering 2017 em: https://www.insideocb.com/page/ocb-gathering-msfb-ga-2017-outcomes

RETROSPECTIVA AG MSF-BRASIL 2017 

Onde? Rio de Janeiro.

Quando? 28 e 29 de abril.

O quê? Prestação de contas: relatório de atividades apresentado pela presidente Ana Cecília de Moraes Weintraub e relatório financeiro apresentado pela tesoureira cooptada Tatiana Zanotti. Endosso: novo estatuto MSF-Brasil, aprovado! Eleição de novos membros do Board: Ionara Rabelo, Julia Bartsch e Kelly Cardoso.Debates: Saúde da mulher: a questão da interrupção voluntária da gravidez nos projetos MSF e o papel de MSF-Brasil perante sua sociedade civil; Deslocamento de pessoas: impacto na região, em projetos MSF e no contexto humanitário em geral. Votação: Moção sobre aprimoramento da segurança do staff nacional, por Renato Santos.

Quem? Board MSF-Brasil, Associados MSF-Brasil, diversos visitantes internacionais e representantes da sociedade civil brasileira especialistas em Aborto, Migração e Refugio. 

Depoimento: 

Ana Cecília, dentre os diversos pontos tratados na AG MSF-Brasil, qual você destacaria? Por quê? 

Acho que além do debate sobre interrupção da gravidez, que foi muito rico e intenso, a AG sempre é uma oportunidade ímpar para troca de experiências entre os membros e para debates sobre o futuro de nossa associação. Acho que conseguimos caminhar mais ainda em direção a um associativo mais forte!

Ana Cecília, considerando a sua experiência como associada e membro do Board Brasil, como você avalia a evolução desse fórum desde sua criação e quais são as perspectivas de futuro?  

Penso que evoluímos em termos de complexidade dos debates e da relação com o executivo e com outros associativos. Por outro lado, o desafio de envolver mais os membros nos debates cotidianos e no funcionamento do associativo continua! 

Ana Cecília Andrade de Moraes Weintraub é associada MSF-Brasil desde 2011, foi membro do Board MSF-Brasil de 2014 até 2017 sendo presidente da Associação durante seu último ano de mandato. Como expatriada atuou em cerca de 07 projetos como psicóloga, foi parte da equipe de RH MSF-Brasil em sua criação e inaugurou a posição de suporte psicossocial no país.    

RETROSPECTIVA AG EXTRAORDINÁRIA MSF-BRASIL 2017 

Quando? 7 de julho. Onde? Rio de Janeiro. 

O quê? Eleição de candidatos ao Board: Ananda King e Tatiana Zanotti, sendo Paula Souza suplente. Anúncio presidente: renúncia. Revisão Estatuto: inclusão de cláusula sobre suplência. Esclarecimentos acerca de conflitos de interesses.  

Quem? Board MSF-Brasil & Associados. 

Depoimento: 

Kelly, o que essa AG Extraordinária representou para você e para os que ali estavam? 

A AG extraordinária de julho de 2017 foi um evento marcante para mim, o qual considero ter sido difícil e sábia a decisão de renunciar ao Board, pois não conseguiria dedicar-me como o Board merece e como eu gostaria. Conhecendo meu próprio interesse e dedicação por MSF, meus 10 anos de trabalho no terreno, meus ideais e apreço ao trabalho humanitário...não foi nada fácil abdicar. Contudo as portas da minha vida se abriram para outro lado e tive que seguir em frente, em um novo caminho, para não tropeçar. As candidatas eleitas resultaram na nova composição do Board e fico feliz de deixar a vívida e ativa turma no comando.

Kelly Cavalete Cardoso é associada MSF-Brasil desde 2011, enfermeira, tendo atuado em Moçambique como FieldCo até 2016. Foi presidente da Associação MSF-Brasil de abril  a julho de 2017. 

RETROSPECTIVA AG MSF-LAT 2017

Onde? México. Quando? 24 e 25 de março. 

O quê? Prestação de contas: relatório de atividades apresentado pelo presidente Carlos Trotta, relatório financeiro pelo tesoureiro Andrés Weisz e relatório da auditoria. Apresentação da Visão de Futuro do Brach Office Mexico, Branch Office Argentina e de MSF-Espanha para Região Sulamericana de língua espanhola. Apresentação dos Centros de Reflexão e Pesquisa: Epicentre & DNDi. Resultados dos FADs da região. Apresentação sobre Advocacy na região. Debates: Migração para além do Mediterrâneo, A MSF que necessitamos no contexto humanitário atual. Alterações estatutárias. Nova composição do Board: Carlos Trotta (Presidente), German Casas (Vice-Presidente), Josefina Martorell (Tesoureira), Jonás Beccar Varela (Secretária), Patricia Salazar, Alejandro Svarch, Jorge Martín Celia Menzala e
Maria Ccahuana Tello. 

Quem? Ananda King é associada MSF-Brasil desde 2011, membro do board MSF-Brasil desde julho de 2017 e atua como expatriada desde 2010, em missões no Haiti e na RDC como promotora de saúde. Sua última missão com MSF foi em 2016 no Haiti. Renata Reis é associada MSF-Brasil desde 2014, responsável por Relações Institucionais e Advocacy. 

Ananda, dentre os diversos pontos tratados na IGA 2017, qual você destacaria? Por quê? 

São dois, na verdade, que se complementam: da importância de MSF dar mais atenção e criar/ ocupar mais espaços de articulação e debate com as esferas de direitos humanos mundo afora (congressos, fóruns, debates internos – que permitam uma construção suave em torno de nossos posicionamentos, que já existem e fazem parte de nossa história de témoignage); e sobre advocacy e proteção: se devemos, por meio de nossa voz e força, tornar as crises sociais ainda mais visíveis (e somado à isso, vêm as reflexões sobre a importância do advocacy em nossa região da América Latina – Brasil incluso, é claro). 

Ananda, qual a relevância da participação de MSF-Brasil na AG MSF-LAT? 

Para além da excelente apresentação feita por Renata Reis (relações institucionais MSF Brasil) sobre a importância de um advocacy regional e de uma mensagem clara e objetiva que represente os diferentes atores de MSF do continente; representar o Brasil junto à MSF LAT é relevante pois devemos compartilhar nossos interesses, conquistas e desafios regionais, identificando pontos de convergência e aprofundando o debate acerca das diferenças para crescemos mais e juntos. Os desafios regionais são muitos, e me parece muito importante nos identificarmos com nossos vizinhos e vice-versa (também acredito que há certa distância cultural e que é preciso reduzi-la, distância esta moldada por nossas histórias e nossas heranças linguísticas).

RETROSPECTIVA AG SOUTHERN AFRICA 2017

Onde? Suazilândia. Quando? 12 e 13 de maio. 

O quê? Prestação de contas: apresentação e aprovação do relatórios de resultados e financeiro apresentados pelo presidente e tesoureiro. Debates: Reproductive Health “averting maternal Death and the provision of safe abortion care”; Internationalization and diversity within MSF “Helping better fulfil our social mission through promotion of diversity and inclusion”; além da apresentação e aprovação do vision statement by the Board of directors for endorsement by the association. Nova composição do Board: Agnes Musonda – Presidente, Musaed Abrahams – Vice Presidente, Mario Fumo – Secretário, Chipo Takawira, Phineas Makurira, Walter Taderera, Kathryn Chu, Nthabiseng Moea e Mohammed Dalwai. Aprovação de moções. 

Quem? Ionara Rabelo é associada MSF-Brasil desde 2012, vice-presidente do Board desde 2017 e representante do Brasil na IGA desde 2017. Como expatriada já atuou como psicóloga em 6 projetos tendo realizado sua última missão no Equador em 2016.

Depoimento: 

Ionara, qual a relevância da participação de MSF-Brasil na AG Southern Africa? (favor responder usando no máximo 05 linhas, cerca de 900 caracteres)

O envolvimento do movimento associativo na AG Africa do Sul é totalmente distinto de tudo que vi. São em sua maioria trabalhadores (as) que estão há anos em nossos projetos. Têm críticas, valores e nos questionam sobre qual a visão que MSF tem ao tratar a diversidade. Momento riquíssimo para pensarmos como o movimento é vivo e pode mudar os rumos de MSF. 

Mais informações sobre o movimento na Southern Africa em: https://www.insideocb.com/page/southern-africa

RETROSPECTIVA FAD BISSAU 2017 

Onde? Bissau

Quando? 10 de março

O quê? Debates: Dilemas das intervenções parciais dentro de serviços muitos especializados numa estrutura; Sustentabilidade dos projetos MSF na Guiné-Bissau: caso projeto Bafatá. Eleição do Representante para Assembleia Geral em Barcelona. 

Quem? Mauro Nunes é associado MSF-Brasil desde 2011, membro do Board Brasil desde 2012, representante do Brasil na IGA desde 2012 e expatriado desde 1991. Já foi parte da equipe de BRAMU e como expatriado já atuou como enfermeiro em mais de 15 locais tendo realizado sua última missão em Angola em 2015.  

Depoimento: 

Mauro, dentre os diversos pontos tratados no FAD Guiné Bissau, qual você destacaria? Por quê? 

Os debates sobre dilemas dentro dos serviços hospitalares e sustentabilidade dos projetos foi interessante a medida que você consegue trazer membros para um espaço associativo para discutir também temas operacionais. 

Mauro, na sua opinião, qual a relevância da participação do membro do Board (FAD Associate) nos FADs? 

Considero extremamente importante a participação e ressalto a atenção e importância que é dada a visão dos que estão no terreno, quando alguém de outro continente participa, com representatividade no associativo, assim demonstramos de forma inequívoca o quanto a visão do terreno é  importante para o associativo, para MSF. 

 

 

 

By: Leticia Nolasco