Retrospectiva

Retrospectiva

Eventos Asso 1o semestre

Como sabem o primeiro semestre de todos os anos comporta a alta temporada dos eventos associativos. De janeiro à março acontecem os FADs (Field Associative Debates), os famigerados debates em nossos projetos. Enquanto de março à junho acontecem as Assembleias Gerais das Associações MSF pelo mundo! 

Em 2018 tivemos participantes da MSF-Brasil na AG MSF-LAT e AG Southern Africa. Claro, também tivemos nossa própria AG aqui no Brasil em maio. Como todo ano, marcamos nossa presença também nos fóruns do OCB Gathering, afinal, somos coproprietários desse OC. E além disso, ocupamos com experiência e inovação as duas cadeiras do Brasil na IGA 2018! 

Aqui, na seção RETROSPECTIVA, vocês vão encontrar uma retomada pontual sobre o que aconteceu em cada evento, juntamente com breves depoimentos de quem esteve por lá representando a Associação Brasil! 

RETROSPECTIVA ASSEMBLEIA GERAL INTERNACIONAL (IGA) 2018

Onde? Barcelona. Quando? 28 a 30 de junho.

O quê? Prestação de contas: relatório moral da presidente Joanne Liu, relatório financeiro do tesoureiro Yvan Legris, feedback do Board Internacional (IB) sobre o trabalho realizado ao longo de 2017/2018. Áine Markham e Bruce Lampard foram os candidatos eleitos ao Board Internacional. Houve o endosso da criação do Branch Office Líbano, da criação do MSF Shared IT Service Center em Praga e da renovação da parceria com DNDi. Moções: MSF must not succumb to global HIV fatigue (aprovada); Growth, Evolution and Complementarity. The future of MSF (aprovada); Towards a Policy on Smoking (aprovada); Palliative care - Beyond Saving Lives (aprovada); Promote and develop an organizational culture enabling and ensuring Gender equality across the movement (aprovada); Humanity, respect and non-tolerance of abuse (aprovada); Towards an intersectional charter for patients’ rights and responsibilities (aprovada); A new OC model is needed (adiada). Debates: MSF and Protection of People in Detention Settings; Getting the Balance Right: Working towards Better Support to Frontline Field Workers in MSF; Movement Evolution and Growth; People, People and People. 

Quem? Julia Bartsch e  Ionara Rabelo, presidente e vice-presidente do Board Brasil, ambas IGA Representatives MSF-Brasil. 

Depoimentos: 

Julia, dentre os diversos pontos tratados na IGA, quais você destacaria? Por quê? 

"Foram 3 dias em que debates relacionados a accountability, uma palavra sem uma tradução precisa para o português, mas que se aproxima a ser responsável e poder prestar contas, trazem questões sobre nossas ações e ampliam a possibilidade de envolver os pacientes neste funcionamento, o que, aliás, foi tema de uma das moções aprovadas. A renovação da parceria com o DNDi foi votada e aceita, ocasião em que se exigiu um maior monitoramento dos resultados desta parceria. A atuação em centros de detenção, o que já foi tema no Gathering de 2017, foi mais um debate de peso, que nos permitiu avaliar como estamos crescendo e evoluindo. Dentro do grande tema “People, people, people”, um dos pontos debatidos foi a inclusão. Um vídeo foi apresentado com uma campanha convidando a se pensar em ambientes mais inclusivos e acessíveis. Por fim, destaco a reeleição da Áine Markham e a eleição do Bruce Lampard como membros do IB (International Board). Nós, enquanto representantes do associativo de MSF Brasil vamos seguir o trabalho do IB de perto e claro, buscar colaborações mutuas pelo movimento MSF."

Júlia, na sua opinião, qual a relevância da participação na IGA?

"Dentro do mesmo princípio da participação no Gathering, estar na IGA é atuar ativamente para que as vozes dos associados e membros de MSF-Brasil façam parte do que se vem discutindo no movimento MSF. Ali, os debates não se restringem à agenda, mas a trocas bilaterais com membros importantes de outros associativos. É destas trocas que surgem novas ideias e novas possibilidades de ação."

Saiba tudo sobre a IGA em: http://association.msf.org/2018IGA (login: msf ; senha: iga)

RETROSPECTIVA OCB GATHERING 2018

Onde? Bruxelas. Quando? 01 e 02 de junho 

O quê? Stéphane Goriely e Tommaso Fabri foram eleitos. Moções: Mental Health & Childhood (aprovada); Pre exposure prophylaxis (PrEP) to all (aprovada); Growth and Evolution of MSF and Operational Complementarity between the OCs (aprovada); Operational Orientations & Decisions (aprovada); Field representation in the international foruns (aprovada); Humanity, respect and non-tolerance of abuse (aprovada); Volee Gas 1 - MSF must not succumb to global HIV treatment fatigue; Vlle Gas 2 - Closure and handover of projects. Debates: How to make our Employee charter more explicit to address issues related to harassment and abuse?; Nursing in MSF: who cares?; Embedded Humanitarianism: is it justified to cosy up with the coalition in Iraq or Nigeria?  

Quem? Julia Bartsch: presidente do Board Brasil e membro do Board OCB. Ananda King: membro do Board Brasil.

Depoimento:

Júlia, dentre os diversos pontos tratados no OCB Gathering, quais você destacaria? Por quê?

"O principal debate girou em torno de se estabelecer um tratado que deixe mais claro como agir e reagir contra casos de assédio e abuso. Foi um longo caminho até que se reconhecesse efetivamente a necessidade de se fazer algo a respeito e é muito bom ver que os esforços tem sido contínuos para se alcançar uma resposta adequada. Como psicóloga, também fiquei feliz em ver uma moção que pede uma intervenção efetiva em Saúde Mental sendo aprovada. Foi a moção apresentada pelo projeto no Egito, pedindo a inclusão da atenção em saúde mental a crianças que já vinham sofrendo outros tipos de violência."

Júlia, na sua opinião, qual a relevância da participação no OCB Gathering?

"Falando claramente, a participação no Gathering é muito mais do que apenas marcar presença. É mostrar ativamente o quanto MSF-Brasil tem força de opinião e deve ser ouvido ao mesmo nível de outras sessões. Muito das conquistas de MSF-Brasil, incluindo o fato de ter se tornado sessão parceira e hoje ter poder de voto dentro do grupo OCB vem de posicionar-se em oportunidades como é o Gathering, que é o maior espaço de debates de OCB. É um espaço que não se limita a vozes que vem do associativo, mas que convida ativamente o executivo a atuar conjuntamente dentro dos temas que emergem destes debates. É, portanto, uma ocasião em que associativo e executores dos escritórios, incluindo obviamente MSF-Brasil tem para que se pense junto o que podemos fazer melhor. Participar do Gathering é ter a chance de estar conectado com o verdadeiro espírito de MSF enquanto movimento associativo." 

Saiba mais sobre o OCB Gathering em: Contact 143 e https://www.insideocb.com/page/ocb-gathering-2018-outcomes 

NOVIDADE: CONHEÇA OS COMPROMISSOS COMPORTAMENTAIS DE MSF AQUI 

RETROSPECTIVA AG MSF-BRASIL 2018

Onde? Rio de Janeiro. Quando? 18 e 19 de maio.

O quê? Prestação de contas: apresentação e aprovação do Moral Report pela presidente Julia Bartsch & Financial Report pela Tesoureira Tatiana Zanotti. Apresentação da nova Diretora Geral, Ana Lemos. Revisão Estatutária: propostas do Grupo de Governança. Eleição de novos membros do Board Brasil: Aline Calixo e Rafael Sacramento. Debates: A presença de MSF para além de indicadores médicos; Assédio, abuso e racismo: implicações na prática humanitária. Recomendação ao executivo: Training Approval Criteria. 

Quem? Associados MSF-Brasil e convidados.

Depoimentos:

Júlia, dentre os diversos pontos tratados na AG MSF-Brasil, qual você destacaria? Por quê?

"Este ano, optamos por focar em dois temas de suma importância, um relacionado ao que MSF-Brasil tem feito e outro que já vem sendo discutido em todo o movimento MSF pelo mundo. O tema “brasileiro” diz respeito às missões exploratórias, essencialmente coordenadas pela BRAMU e o Advocacy, a fim de conhecer as necessidades humanitárias em algumas regiões do Brasil, em especial na fronteira com a Venezuela e em zonas da cidade do Rio de Janeiro onde o nível de violência impede uma intervenção em saúde adequada aos seus habitantes. Para além dos indicadores médicos, foi possível destacar fatores socioeconômicos e políticos que afetam tanto a saúde física como mental dos que vivem nas zonas visitadas, dando elementos para reivindicar dos atores governamentais respostas necessárias. O tema internacional foi a questão do assédio e do racismo, com olhar especial para dentro de MSF. Como estamos atuando, como estamos respondendo e o que precisamos melhorar para que casos de assédio e racismo não sejam tolerados de forma alguma foi o eixo central da mesa. O reconhecimento do que é um problema não pode ser subestimado pelo número relativamente baixo de casos e é o grande passo para tomar atitudes e buscar soluções a tais questões. Isto vem sendo uma das maiores prioridades de MSF como um todo e portanto, o tema não podia ficar de fora desta AG, ocasião em que um exercício com os participantes trouxe contribuições importantes para se lidar com o tema."

Julia Bartsch é presidente da Associação MSF-Brasil. 

Ananda, o que você destacaria em relação ao debate sobre assédio, abuso e racismo e suas implicações na prática humanitária?

"Para mim, um dos aspectos mais importantes e que pode parecer bastante irrisório foi o fato de termos adotado as palavras assédio, abusos e racismo – em especial a palavra racismo – no título da mesa. Venho acompanhando um pouco mais de perto os fóruns de discussão no movimento como um todo no último ano como membro do Board, e o uso das palavras neste tipo de debate me parece em geral bastante político. Isso indica uma tentativa de não necessariamente reconhecermos que dentro de nossas dinâmicas profissionais há também racismo – afinal, nomear também é reconhecer. Fala-se muito em diversidade e inclusão, mas estes são aspectos posteriores (como resolver, como amenizar) à causas outras, que estão geralmente no centro de problemáticas sociais.

No debate, propusemos uma dinâmica dividindo os associados presentes em quatro grupos para que fossem discutidas diferentes formas de assédio sexual, assédio moral, discriminação e racismo. Os debates foram ricos e a ideia era que os associados trocassem e reconhecessem as questões entre si, contribuindo para que possamos manter os olhos abertos sabendo reconhecer este tipo de situação."

Ananda King foi moderadora da mesa sobre Assédio, abuso e racismo: implicações na prática humanitária e é membro do Board Brasil.  

Mauro, o que você destacaria em relação ao debate sobre a presença de MSF para além dos indicadores médicos?

"Ao final a mesa concluiu de forma enfática que além de indicadores médicos há indicadores sociais e psicossociais que devem ser considerados para qualquer elaboração de projetos e isso do ponto de vista não só do Brasil, mas de outras seções parcerias da organização."

Mauro Nunes foi moderador do debate sobre a presença de MSF para além de indicadores médicos e é membro do Board MSF-Brasil.

Rafael, quais suas expectativas agora que você foi eleito para o Board Brasil?

"O Board Brasil tem um papel fundamental na manutenção do ideal crítico, assistencial e inovador de Médicos Sem Fronteiras. Com uma composição que mescla pessoas com as mais diversas experiências profissionais e de terreno, temos a missão de manter as ações e as ideias em consonância com o espírito associativo.
Minha maior expectativa é colaborar para que assuntos delicados sejam mantidos na pauta, até que tenham a devida atenção, e que o nosso posicionamento seja o mais ético, criterioso e humanitário possível."

Rafael Sacramento é membro do Board Brasil, eleito na AG 2018.  

Aline, quais suas expectativas agora que você foi eleita para o Board Brasil?

"Fazer parte do Board de MSF-Brasil está sendo uma construção muito importante pra mim. Estou mais perto de MSF como movimento e feliz em contribuir com minhas perspectivas como profissional da área de saúde da mulher. Buscamos manter o papel desta organização, que dá lugar de fala aos negligenciados no acesso aos cuidados de saúde".

Aline Calixto é membro do Board Brasil, eleita na AG 2018.   

RETROSPECTIVA AG MSF-LAT

Onde? Bogotá. Quando? 6 e 7 de abril.

O quê? Prestação de contas: Moral Report pelo presidente Carlos Trotta e Financial Report pela Tesoureira Josefina Martorell. 

Quem? Julia Bartsch, presidente Board MSF-Brasil e Ananda King, membro do Board MSF-Brasil e ponto focal do Board para MSF-LAT. Debates: 1) How are we volunteers in MSF?: “The challenge of good handling our best resource”; 2) Voices from the field: MSF, Venezuela and Venezuelans. Is there place for a real humanitarian action? ; 3) Woman’s health. MSF Projects in LAT. VTP in Latin América, a possible challenge?; 4) Building today the tomorrow’s MSF at the region. MSF in América. The united voice of American Associations. Nationals and regionals associations with a common view making the movement stronger. 5) Moving forward a Partner Section. 

Depoimento:

Júlia, dentre os diversos pontos tratados na AG MSF LAT, quais você destacaria? Por quê?

"Tendo a AG o tema “O voluntário de hoje para MSF de amanhã: Onde está minha gente?”, os debates voltaram os olhos para aqueles que atuam com MSF, trazendo assim a busca de se compreender desde a razão e o fazermos até o que efetivamente é feito. A atual situação da Venezuela não poderia ficar de fora e trouxe os desafios de uma ação naquele país. MSF-Brasil participou ativamente de duas mesas, trazendo a presidenta de MSF-Brasil na mesa “Construindo hoje a MSF de amanhã na região” e Renata Reis no debate sobre projetos MSF na América Latina."

Júlia, na sua opinião, qual a relevância da participação do Board na AG MSF LAT?

"A aproximação com as atividades de MSF LAT é fundamental para uma boa coordenação de ações do associativo nas Américas, em especial na América Latina. Como movimento, devemos buscar conciliar ações e atividades que sejam pertinentes tanto para MSF LAT como para MSF Brasil, entendendo impactos e resultados para uma ideia comum."

RETROSPECTIVA AG MSF-SOUTHERN AFRICA

Onde? Lusaka. Quando? 11 e 12 de maio.

Quem? Ionara Rabelo, vice-presidente do Board Brasil e ponto focal do Board para Southern Africa.

O quê? Prestação de contas. Eleição. Debates. 

Depoimento:

Ionara, dentre os diversos pontos tratados na AG Southern Africa, quais você destacaria? Por quê?

"Havia Quase 300 participantes, alta presença de pessoas que estão no terreno, o que qualifica o debate. Há várias plataformas para pensar e refletir sobre MSF, muitos trabalhadores e pessoas de cerca de 7 países, Angola ainda por entrar. Dimensões de diversos países, possibilidade de ouvir maneiras diferentes de construção de estratégia e caminhos que apontam para MSF."

Ionara, na sua opinião, qual a relevância da participação do Board na AG Southern Africa?

"É relevante o Brasil participar, pois vamos para um debate asso em que não há apenas documentos para se embasar ou questões, mas escutas e perspectivas novas. Falamos sobre MSF ser diversificado e Southern Africa pode trazer essa pluralidade e pode trabalhar a inclusão de uma forma diferenciada. É importante a proximidade do Brasil para que tenham conhecimento sobre como estamos nos posicionando e repensar esse posicionamento no movimento. Se vamos apenas para AGs europeias o que chega de reflexões tem muitos filtros e na Southern Africa os filtros quase não ocorrem. Pessoas do escritório iam contra posições de trabalhadores locais. Essa escuta precisa ocorrer. Quando há filtros podemos correr o risco de seguirmos apenas o que os OCs querem. Estarmos lá nos permite outros canais de comunicação e permite que as barreiras não sejam tão fortes. Essencial manter o contato com MSF Southern Africa." 

Saiba mais em: https://www.insideocb.com/page/southern-africa

RETROSPECTIVA AG MSF-ESPANHA 2018

Onde? Barcelona. Quando? 09 e 10 de junho.

Quem? Mauro Nunes, membro do Board Brasil e ponto focal do Board para OCBA. 

O quê? Prestação de contas: informe do presidente e do tesoureiro. Debates: Elecciones difíciles en contextos difíciles: Medicina de Emergencia y Referencia en conflicto. Eleição de Ana Alvares e Xisco Villalonga. Aprovação de alterações estatutárias, como a decisão de que o presidente deve ser médico ou enfermeiro. Moção aprovada: Promover y desarrollar una cultura organizacional donde se aplique la perspectiva de género para que MSF OCBA sea una organización igualitaria, inclusiva, diversa y segura para todas y todos. 

Depoimento:

Mauro, dentre os diversos pontos tratados na AG OCBA, quais você destacaria? Por quê?

Sobre a sessão de accountability, em que foi apresentado o moral report pelo presidente e budget pelo Tesoureio, fiquei assustado com a projeção de 2019 que já indica um grande déficit. Houve a eleição da Ana Alvares e do Xisco Villalonga. Apresentou-se também a intenção do escritório de Buenos Aires de expandir suas atividades para outras localidades da América do Sul. Aprovou-se também uma moção: promover e desenvolver uma cultura organizacional onde se aplique a perspectiva de gênero para que MSF OCBA seja uma organização igualitária, inclusiva, diversa e segura para todas e todos. 

Mauro, na sua opinião, qual a relevância da participação do membro do Board na AG OCBA?

"OCBA se torna o OC com mais afinidade conosco, uma aproximação natural. Temos uma ligação primaria com Bélgica, mas uma parceria secundária seria OCBA, por isso é importante estarmos antenado no que fazem como orçamento e plano anual.  Já estamos acompanhando, conhecemos o modus operandi. Termos um pertencimento no grupo e devemos continuar."

Saiba mais em: https://asociacion.msf.es/node/19871 (login: serpa ; senha: serpa)

By: Leticia Nolasco