Telescópio

Nosso Executivo

Por Ana Lemos

Iniciei novas responsabilidades como DG de MSF-Brasil no meio do mês de maio. Há quase duas décadas, comecei a trabalhar em MSF como voluntária em Barcelona, desde então desempenhei muitas funções na organização (coordenação de projetos, HoM, coordenação de emergências, gestão de comunicação, etc), sempre com o objetivo de contribuir com minha pequena parcela para garantir que as populações vulneráveis em meio a crises humanitárias recebam assistência médica humanitária. Todos esses anos trabalhando para esta organização aumentaram meu nível de entusiasmo e é impulsionada por um senso de responsabilidade que vos quero convidar, agora como DG, a uma participação ativa na construção da nossa organização.

No próximo dia 10 de agosto a equipe de direção irá se reunir com o Board para fazer a avaliação das atividades e resultados obtidos no primeiro semestre de 2018, e assim uma reflexão sobre atividades estratégicas para o segundo semestre. Este é um breve resumo dos caminhos estratégicos deste primeiro semestre de 2018.

Apesar dos desafios socioeconômicos enfrentados nos últimos meses e a instabilidade política presentes do país, o departamento de Captação de Recursos foi capaz de se manter dentre os principais arrecadadores do Movimento e assim contribuir para o nosso trabalho medico-humanitário. São já 430 mil doadores ativos no Brasil, dos quais 328 mil são doadores regulares. Estamos profundamente agradecidos pela solidariedade destas pessoas que compartilham os valores da nossa organização.

Buscando constantemente formas significativas de contribuir para a nossa missão social, iniciamos projetos que colocam MSF-Brasil como líder na comunicação em língua portuguesa no mundo MSF. Fechamos um acordo de colaboração com as missões (OCB e OCG) em Moçambique e construímos uma parceria estratégica com OCBA que visa permitir um movimento inovador Sul-Norte que pretende ocupar um espaço de potencial relevância em Portugal.

Os bombardeamentos de Goutha Oriental, a crise de refugiados no Mediterrâneo e a epidemia de Ebola na República Democrática do Congo pautaram as nossas preocupações e foram os principais destaques sobre MSF na mídia nos primeiros seis meses do ano com 3.248 menções na mídia brasileira.

A campanha de visibilidade para a doença de Chagas, lançada no dia mundial de combate à doença (14/04), durante o Conexões MSF, foi fruto da colaboração dos departamentos de Advocacy, BRAMU e Comunicação. Juntamente com a campanha, a pressão junto ao Ministério da Saúde para a publicação dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Chagas permitiu a recolocação do protocolo em pauta. Ademais, Advocacy esteve fortemente presente no monitoramento da situação dos venezuelanos em Roraima, além do apoio à missão Venezuela.

No Brasil vamos buscando constantemente espaços operacionais de relevância, realizando missões exploratórias para identificar espaços humanitários. O projeto Roraima foi aprovado em Bruxelas e queremos através dele identificar e atender necessidades humanitárias de pessoas que tiveram que deixar suas casas em busca de dignidade e sobrevivência.

A BRAMU fortaleceu o seu relacionamento com os Centros Operacionais a partir da renovação dos Memorandos de Entendimento (MoUs)  com OCB e OCBA permitindo um relacionamento operacional estreito. Através de maior articulação com os centros, a unidade expandiu seu portfólio com a inclusão de duas posições deslocalizadas de Bruxelas e de Barcelona: uma médica especialista em saúde de adolescentes e uma técnica em Antropologia Humanitária, Engajamento Comunitário e Promoção de Saúde.

Outras ações foram a implementação do Population Assessment Tool (PAT) em Caracas, em apoio à missão de OCBA; a avaliação Antropológica no projeto de Malária em Bolívar (OCB) e a implementação da segunda versão do PAT Transmigrantes no México (OCBA). A proposta da Ferramenta de História de Migração (MHT) foi submetida ao Comitê de Ética de MSF e no segundo semestre, a Unidade pretende finalizar a Migration History. Além disso, retomamos o processo de revisão e atualização do protocolo de dengue criado em 2015 que será aprimorado em colaboração com os centros operacionais de Barcelona, Bruxelas e Amsterdã no segundo semestre.

Dialogamos interna e externamente sobre abuso e assédio dentro da sociedade em geral e do setor de ajuda especificamente. Nossa força é também baseada em respeito mútuo e transparência. Temos dezenas de milhares de funcionários trabalhando em condições extremas em todo o mundo, e a necessidade de todos e de cada um de nossos pacientes e funcionários se sentirem seguros para denunciar e combater qualquer forma de abuso é algo que levamos muito a sério.

Nosso departamento de Recursos Humanos trabalhou no desenvolvimento de políticas internas que vão permitir o fortalecimento institucional da organização a partir de políticas de Cargos e Salários; Bem-Estar no Trabalho; gestão por objetivos e treinamentos de nossos colaboradores.

Com o RH internacional, atingimos 63% do Target de recrutamento determinado por OCB. MSF-Brasil foi a única seção das nove do grupo OCB que ultrapassou o objetivo previsto para o primeiro semestre. Foram já 95 vezes que colegas, saíram para trabalhar em países como Afeganistão, Moçambique ou Iraque.

As incertezas políticas e a instabilidade socioeconômica devem se acentuar no segundo semestre de 2018 com a aproximação das eleições presidenciais. Apesar dos constantes desafios, seguimos dando continuidade aos nossos esforços e trabalhando em conjunto para implementar novos projetos que permitam o crescimento e consolidação de MSF-Brasil e participação estratégica no movimento.

Estamos juntos!

By: Leticia Nolasco